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SMTUC - Promessas quebradas

  • há 5 horas
  • 4 min de leitura

Prometeram SMTUC para todos. Agora anunciam cortes

Ana Bastos - Texto publicado no Diário de Coimbra de 2026/06/12


Os SMTUC admitiram recentemente que a revisão da rede não garantirá, afinal, o alargamento do serviço a todas as freguesias. Cai assim uma das promessas eleitorais mais repetidas: levar os SMTUC a todo o concelho.

Convém recordar que este foi um tema central da campanha. A Senhora Presidente acusava o anterior presidente de “jogar ardilosamente com as palavras”, afirmando que uma freguesia ter transportes não era o mesmo que ser servida pelos SMTUC. Hoje, com 30 novos autocarros e o subsídio aos motoristas aprovado, essa promessa é abandonada. O que mudou?

Mudou que a realidade operacional, financeira e técnica se impôs à propaganda. Enquanto em campanha se prometiam novas linhas e a resolução dos problemas estruturais dos SMTUC, agora admite-se que os SMTUC são uma empresa falida e opta-se pelo caminho mais fácil: cortar serviços. Acaba de ser aprovada a redução de mais de 327 horas de circulação nos horários de férias escolares, sábados, domingos e feriados.

O executivo vem agora defender que a rede dos SMTUC deve ser reformulada de forma a complementar ao Sistema de Mobilidade do Mondego, mantendo, no essencial, a orientação estratégica que antes definimos e que a coligação “Avançar Coimbra” tanto criticou. Sete meses depois, há um recuo político silencioso e o reconhecimento implícito de que o trabalho anterior tinha qualidade, coerência e deve ser continuado.

Foi ainda adiantada, nas redes sociais, a preferência da CMC pela solução alternativa do estudo sobre a grande reformulação da rede dos SMTUC. Dito claramente: isso significará mais transbordos. Está-se a aumentar eficiência da rede, é certo; mas penalizam-se os utilizadores com transbordos em interfaces, muitos deles sem condições. Se esse for o caminho, o Município tem de investir seriamente nesses pontos, tornando-os confortáveis, seguros e bem articulados com as restantes redes. Caso contrário, está-se a transferir custos operacionais para o incómodo diário das pessoas.

Importa ainda questionar porque é que a CMC avança com preferências, sem que previamente tenha aberto o estudo à discussão pública. Uma alteração desta dimensão exige transparência e participação com instituições, utilizadores e populações em cada freguesia. A mobilidade de Coimbra não pode ser decidida por comunicados.

Também é curioso ouvir agora que este estudo está “em dia” uma vez que só poderá ser implementado após a abertura da rede do Metro. Foi exatamente isso que sempre defendemos. Mas fomos acusados de atraso; hoje reconhece-se que a reformulação não podia avançar desligada da bilhética intermodal e do MetroBus.

Na zona noroeste, pretende-se agora implementar um piloto de transporte flexível com a CIM-RC. Será complementar ou alternativo às linhas existentes? Porque não expandir o piloto implementado em Cernache, assegurado pelos SMTUC? Se faltam motoristas e autocarros, porque não integrar a rede de táxis e TVDE, incluindo a recém plataforma local da TAPSi? Quanto vai custar este serviço à CMC e ao utilizador? Todos sabemos que os custos associados ao SIT Flexi são superiores aos de Cernache onde são válidos os títulos municipais.

A mobilidade é demasiado importante para ser gerida à base de slogans eleitorais. Coimbra precisa de decisões transparentes, tecnicamente fundamentadas e centradas nas necessidades dos utilizadores, porque os cidadãos não se deslocam em promessas falsas. Deslocam-se em transportes públicos que funcionem!


SMTUC: da promessa da expansão à realidade dos cortes

Ana Bastos - Texto publicado no Diário As Beiras de 2026/06/13


O anúncio de que os SMTUC não vão alargar o serviço a todas as freguesias expõe mais um logro político do atual executivo camarário. A grande promessa de campanha — levar os transportes a todo o concelho — foi descartada assim que a realidade operacional, financeira e técnica daqueles serviços, se impôs à mera propaganda. Importa recordar que a Senhora Presidente acusou o seu antecessor de 'jogar ardilosamente com as palavras' defendendo que uma freguesia ter transportes públicos não era o mesmo que ser servida pelos SMTUC.

Hoje, munidos de 30 novos autocarros e com o subsídio aos motoristas aprovado, os SMTUC em vez de alargarem a rede, optam pelo caminho mais fácil: o corte de serviços. A prova inequívoca desta nova política é o recente corte de mais de 327 horas de circulação em férias escolares, sábados, domingos e feriados.

O executivo defende agora a definição de uma rede complementar ao Sistema de Mobilidade do Mondego, mantendo, no essencial, a orientação estratégica definida pelo executivo anterior — aquela que a coligação “Avançar Coimbra” tanto criticou. Assiste-se a um recuo político silencioso e ao reconhecimento implícito da coerência do trabalho que herdaram.

Paralelamente, a Câmara anunciou nas redes sociais a preferência por uma solução de reformulação da rede que se traduz, por palavras simples, em mais transbordos. Embora o modelo possa visar a eficiência teórica, penaliza severamente os utilizadores. Se este é o caminho, o Município deve obrigar-se desde já a investir nos interfaces, garantindo o conforto e a segurança que hoje escasseiam.

Mais grave do que a escolha é o modus operandi: a Câmara manifesta preferências antes sequer de abrir o estudo à discussão pública. Uma alteração desta magnitude e relevância exige transparência e a participação ativa de todos, com sessões públicas nas várias freguesias e com todos os interessados. A mobilidade de Coimbra não pode ser decidida por meros comunicados nas redes sociais.

É igualmente curioso ouvir agora que o estudo está “em dia” porque só poderá ser implementado após a entrada em funcionamento do MetroBus. Foi exatamente isso que o anterior executivo sempre defendeu! Durante a campanha e nos últimos 7 meses, fomos sistematicamente acusados de atraso neste processo; hoje, o atual executivo reconhece que a reformulação da rede nunca poderá avançar desligada da bilhética intermodal e do MetroBus.

Na zona noroeste, anuncia-se um projeto-piloto de transporte flexível com a CIM-RC. Resta saber: será complementar ou uma alternativa às linhas existentes? Porque não expandir o piloto de Cernache já implementado em colaboração com os SMTUC? Se faltam meios, porque não integrar táxis e as plataformas TVDE e TAPSi? Qual será o custo real para os munícipes e para a autarquia, sabendo que os custos do SIT Flexi são superiores ao transporte flexível de Cernache?

A confiança dos conimbricenses não se conquista com ilusões de campanha que depois naufragam na realidade. A mobilidade urbana faz-se com transparência e exige-se uma rede de transportes que sirva as pessoas e não a conveniência política de quem governa.

 
 
 

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