Coimbra com o pior abandono de jovens de Portugal

Introdução

 

A faixa etária dos 25 aos 29 anos é muito importante porque normalmente representa a idade em que os jovens com formação superior, e não só, procuram o seu primeiro emprego. A evolução do número de residentes com esta idade reflete em primeiro lugar a evolução demográfica: há uma evolução descendente se a tendência nos últimos 25 a 29 anos tiver sido no sentido do decréscimo do número de nascimentos, e uma evolução crescente se tiver havido mais nascimentos.

 

Retirado o efeito da evolução do número de nascimentos, uma subida de residentes na faixa dos 25 aos 29 anos é bom sinal, porque significa que há empregos disponíveis e os jovens sentem que têm boas perspetivas profissionais. Se há uma descida dos residentes nesta faixa etária é porque os empregos escasseiam, ou não são atrativos. A evolução desta faixa etária é um excelente indicador da saúde social e económica de uma região.

 

Situação em Portugal

 

A base de dados Pordata disponibiliza aqui a evolução desse indicador entre 2001 e 2018. Os anos de 2001 e 2018 são os anos mais antigo e mais recente para os quais a Pordata disponibiliza estes dados, daí da escolha destes anos. Vê-se que a evolução em Portugal não é favorável: de 815 mil residentes em 2001 com 25 a 29 anos, passámos para apenas 548 mil em 2018, um decréscimo de 32,7%.

 

Para sabermos se estamos essencialmente a observar o efeito da diminuição de nascimentos é necessário comparar com a evolução da natalidade, que se pode igualmente encontrar na Pordata, aqui. Usando a idade média do intervalo, 27 anos, vemos que em Portugal nasceram em 1974 (27 anos antes de 2001) 172 mil bebés, e em 1991 (27 anos antes de 2017) apenas 116 mil, um decréscimo de 32,4%, que é aproximadamente o mesmo valor de decréscimo assinalado acima para a faixa etária de 25 a 29 anos, de 2001 a 2018. Conclui-se que no conjunto de Portugal a diminuição da população na faixa etária de 25 a 29 anos resulta essencialmente da diminuição de nascimentos, tendo as migrações de entrada e saída do país pouco significado.

 

O decréscimo demográfico geral da população portuguesa já está a constituir um obstáculo ao desenvolvimento económico, como constata o Banco de Portugal no estudo "As alterações demográficas e a oferta de trabalho em Portugal", publicado no número de junho de 2019 do Boletim Económico do Banco de Portugal (páginas 43 a 59), disponível aqui.

 

 

Situação em Coimbra

 

Interessa agora analisar os dados do concelho de Coimbra para as idades de 25 a 29 anos, retirados também da Pordata no mesmo local dos dados relativos a Portugal. Verificamos que no concelho de Coimbra havia, em 2001, 11.753 residentes com idade entre 25 e 29 anos, e que em 2018 já só havia 5.410 residentes com essas idades, uma diminuição de 54%. É um valor muito pior que a média do país, que, recordemos, é de 32,7%.

 

É também relevante comparar com os outros concelhos portugueses. Verifica-se que Coimbra é o concelho pior do país: em mais nenhum dos 308 concelhos de Portugal a redução de população residente foi tão pronunciada entre 2001 e 2018, na faixa etária dos 25 aos 29 anos, como em Coimbra. Esperar-se-ia que os concelhos mais interiores do país estivessem pior do que Coimbra, mas não é o caso.

 

O concelho de Coimbra está precisamente na última posição de Portugal, no que diz respeito à capacidade de reter a sua própria população entre os 25 e os 29 anos. A tabela abaixo contém os concelhos de Portugal, com o único ajuste de os concelhos das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto não estarem individualizados, por as áreas metropolitanas, do ponto de vista da população residente, terem um comportamento essencialmente conjunto.

 

Estes números não são afetados pela saída, no final do curso, dos jovens que vêm estudar para Coimbra, pois apenas os residentes estão contabilizados nas estatísticas aqui analisados.

 

Conclusões

 

No conjunto de Portugal a diminuição de 32,7% da população na faixa etária de 25 a 29 anos, entre 2001 e 2018, resulta diretamente da diminuição de nascimentos, não sendo afetada pelas migrações de entrada e saída do país, que se compensam.

Já no concelho de Coimbra, a diminuição foi de 54% nessa faixa etária, sendo este o pior desempenho de todos os concelhos de Portugal. Uma descida tão acentuada significa que os empregos escasseiam, ou não são atrativos. O concelho de Coimbra mostra estar muito doente, social e economicamente, pois de outra forma não seria abandonado tão massivamente por aqueles que procuram o seu primeiro emprego, e não ocuparia a última posição de todos os concelhos do país.

 

Esta evolução é também muito preocupante porque torna ainda mais difícil a recuperação da atividade económica, mesmo com uma alteração forte das atuais políticas municipais, pois a falta de pessoas em idade ativa limita o desenvolvimento económico, como explica o já citado estudo do Banco de Portugal.

 

Junho de 2019, Somos Coimbra

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Variação da população residente na faixa etária dos 25 aos 29 anos, entre 2001 e 2018, nas regiões NUTS II e III, nas duas áreas metropolitanas e em todos os concelhos fora das duas áreas metropolitanas (fonte: Pordata)