O PROFETA DA DEMAGOGIA


(Texto do vereador José Manuel Silva publicado no Diário "As Beiras" do dia 2020-08-24)


Victor Baptista (VB) fez um clássico exercício de demagogia no Diário as Beiras de 17/08/2020, ao tentar responder ao artigo que publiquei no Público de 14/08/2020, sobre o ocaso de Coimbra.


VB chama-me de ‘profeta da desgraça’, mas foge como o diabo da cruz de analisar os indicadores oficiais que publiquei! Recordo 2 desses indicadores: Coimbra é apenas o 65º concelho em empresas não financeiras/100 habitantes (Pordata, 2018) e em bens exportados (incluindo o turismo) (Pordata, 2019), atrás de concelhos como Pombal, Lousada, Nelas, Tondela, etc.


VB reconhece que esses indicadores são uma desgraça para Coimbra, pois qualifica de “da desgraça” o “profeta” que ousa falar neles. Para VB, o problema não está na realidade de Coimbra, revelada pelos indicadores económicos oficiais da PORDATA, está na desgraça de alguém os analisar e publicar.


No seu artigo, VB começa com uma deliberada e demagógica inverdade, ao confundir ‘taxa de desemprego’ com ‘desempregados inscritos nos Centros de Emprego (CE) e de Formação Profissional no total da população residente com 15 a 64 anos’. São conceitos diferentes e não existem taxas de desemprego por concelho! O INE é a única entidade credenciada pelo Eurostat para calcular a taxa de desemprego em Portugal e apenas apresenta valores para o País e NUTSII (grandes regiões).


O indicador dos desempregados inscritos no CE pode ser um sinal de particular dinamismo económico? Implica que a CMC atraiu muitos investimentos? Não e não, como bem sabemos!

De facto, este indicador apenas revela o número de desempregados registados, nada mais, pois os registos são voluntários e as pessoas podem registar-se (ou não) onde quiserem. Se as pessoas emigrarem ou forem trabalhar para outros concelhos, como está a acontecer com os jovens, deixam de fazer parte desta estatística de Coimbra, ‘melhorando-a’ artificialmente! Devido às diversas variáveis em jogo, nem sequer permite grandes comparações entre concelhos;


Se quiséssemos usar este indicador para analisar o ranking nacional de Coimbra, estaríamos no lugar 143º... Este indicador, em 2001, 2013 e 2019, era de 3,8, 9,6 e 4,6, em Coimbra, e de 4,7, 10,3 e 4,7, a nível nacional, respectivamente; a Câmara de Coimbra não é proactiva e deixa-se ir por arrastamento do que se passa a nível nacional.


A coligação PS-PCP, que governa Coimbra há 7 anos, ainda não foi capaz de trazer para Coimbra um único novo investimento de média dimensão, numa nova empresa, limitando-se ao investimento feito por empresas que já cá residem e que têm conseguido crescer (e ainda bem!), como a Olympus, a Critical, a Bluepharma, a Lugrade e a Plural. Não é suficiente, como é fácil verificar. Coimbra, continua em perda, por falta de grandes investimentos industriais e de emprego.


VB efetua uma inundação de estatísticas demográficas relativas a um curto período de tempo, com pequenas variações, de significado inconclusivo e apenas com o objectivo de baralhar, para concluir, abusivamente, que em Coimbra está tudo bem! Mesmo assim, esses indicadores mostram-se piores do que em Leiria e Aveiro.


Vale a pena recordar que o concelho de Coimbra, de 2001 a 2019, perdeu 14106 residentes, 9,5% da população, dez vezes mais do que a perda média nacional, que foi de apenas 0,95%! É verdade que, de 2018 para 2019, a população residente em Coimbra aumentou 0,3%, mas vamos ver no próximo ano... Pequenas flutuações de apenas um ano não têm significado.


VB constitui-se como um profeta da demagogia. Mas desses já cá há muitos e não resolvem nenhum dos problemas estruturais do concelho de Coimbra."


José Manuel Silva,

Médico e Vereador sem pelouro pelo movimento Somos Coimbra


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