Criar alternativas



É justo começar por fazer uma referência ao inequívoco significado político de termos reunido, a meio da campanha eleitoral, tantas pessoas que enchem o Pavilhão dos Olivais, após a realização de uma caravana automóvel que juntou esta tarde mais de 200 veículos e percorreu as principais ruas do concelho. Este sinal de força e de vitalidade, num movimento que não tem por detrás nenhum partido político que lhe forneça meios financeiros, materiais ou humanos, que partiu do zero há meia dúzia de meses com o fim de criar uma alternativa credível para quem não a via desenhar-se no panorama autárquico de Coimbra, não deixa espaço para outras interpretações que não sejam a de que

  • estamos na corrida,

  • estamos com mais momento do que os nossos adversários,

  • estamos a conseguir afirmar os nossos princípios e os nossos propósitos,

  • estamos a cumprir os objetivos a que nos propusemos para esta fase,

E que são:

  • recuperar para a esperança democrática os que não têm tido ânimo para resistir ao abandono da abstenção;

  • tornar útil o voto de protesto que de outra forma seria branco ou nulo,

  • trazer para nós quem já não se revê nas alternativas gastas.

De todos estes grupos, o maior é, de longe, o da abstenção. Com um valor de 50% nas eleições autárquicas de 2013 em Coimbra que, corrigido o efeito da desatualização dos cadernos corresponde a pelo menos 30 a 35% de abstenção real, existe um enorme potencial eleitoral neste conjunto de pessoas desencantadas com a democracia autárquica - e quem os pode criticar por isso - que é preciso trazer de novo para o exercício do dever cidadão.

Nas mesmas eleições, temos por outro lado mais de 8% de votos brancos ou nulos, de pessoas que quiseram afirmar a sua presença e participação, mas que não conseguiram identificar-se - e quem os pode criticar por isso - com nenhum dos projetos apresentados.

Em qualquer dos casos, para quem se absteve ou votou branco ou nulo, o movimento SOMOS COIMBRA é o caminho da esperança para a reabilitação da democracia autárquica em Coimbra e para o desenvolvimento da cidade e do concelho.

E finalmente, devemos ir buscar quem já não se revê nas alternativas gastas:

  • nos que, por falta de ambição ou fuga à responsabilidade, continuam a pensar, quarenta anos depois, que podem ter um papel na cidade lutando pela eleição de um vereador e preferem ser puros numa representação irrelevante, do que plurais numa representação maioritária. Refiro-me, para que não fiquem dúvidas, à CDU e ao BE. Poucos mas bons, que parece ser o seu lema, pode ser a estratégia adequada para uma aldeia de irredutíveis gauleses, que desejam palco para enunciar princípios, mas que fogem a aceder a plataformas, como é o Movimento SOMOS COIMBRA, que lhes permitem torná-los realidade. E se a intenção é a de replicar uma geringonça em Coimbra, como objetivamente já o tentou a CDU no anterior mandato e explicitamente já o prometeu o BE para o próximo, erram ao não perceber que lhes falta uma personalidade com a inteligência política e a cultura democrática de António Costa e que, sob a batuta de Manuel Machado, apenas se podem descredibilizar.

Entre os outros dois candidatos, empatados com dezasseis anos de presidência autárquica cada um, transportando todos os vícios e os séquitos de bajulação e de interesses que a atual lei de limitação de mandatos visou combater, pelos vistos sem sucesso, a nossa opção só pode ser a de os deixar gozar, aos dois, a merecida reforma, mantendo-os empatados entre si e não permitindo a qualquer um deles que continue a empatar o desenvolvimento da nossa cidade.

  • Da candidatura de Jaime Ramos, que nunca entusiasmou o seu eleitorado, direi apenas que ela, ao propor MAIS (do mesmo) PARA COIMBRA, se está a esgotar na falta de credibilidade de uma campanha que não convence, ao mesmo tempo que se esgota o prazo de validade de quem a impôs às estruturas locais do partido, Pedro Passos Coelho. O futuro político dos dois está intimamente ligado e os resultados de 1 de Outubro, sendo a mais que provável derrota do primeiro, podem igualmente ser o toque a finados para o segundo. Por isso, se eu fosse militante ou simpatizante do Partido Social Democrata, escolheria este momento para (fórmula 2 em 1), votando SOMOS COIMBRA, dar ao concelho um bom Presidente de Câmara e ao País uma oposição credível de centro-direita, sem que isso constituísse uma vitória do meu principal adversário.

  • Quanto a Manuel Machado, devo testemunhar que, das centenas de pessoas com quem tenho falado sobre o futuro da cidade e o desenrolar deste processo eleitoral, não encontrei uma única, incluindo vários dos que se incluem nos seus grupos de apoio, que fosse capaz de o defender como Presidente de Câmara, sobretudo neste último mandato. Independentemente dos resultados de 1 de Outubro, não tenho dúvida em afirmar que a cidade não o aprecia como Presidente e que gostaria de ver naquele lugar uma outra personalidade mais ativa, mais atenta e mais capaz. A mais benévola referência que a ele fazem, e ouvi-a repetidas vezes, é a de dizerem que, muito embora não seja um bom candidato, o Partido decidiu não tirar o apoio a nenhum autarca que se recandidate.

E aqui estamos nós todos, cidadãos eleitores do concelho de Coimbra, reféns de alternativas nas quais nem os próprios acreditam e joguetes de uma democracia tornada exígua, porque capturada por interesses de grupos que se instalam nos partidos, que subvertem as regras democráticas internas e que nos colocam perante factos consumados que nos fazem desacreditar do processo democrático.

Que ninguém tenha dúvidas sobre as nossas ideias e sobre os nossos propósitos: os partidos são essenciais ao desenrolar de uma normal vida democrática. Mas a democracia não se esgota nos partidos e quando os partidos não se mostram à altura das suas responsabilidades, o surgimento de iniciativas independentes é uma resposta não só legítima como necessária, que já mostrou ser capaz de ganhar eleições locais e de liderar de forma competente e eficaz uma grande cidade. Não se trata, portanto, de votar a favor ou contra os partidos. Trata-se, sim, de encontrar as melhores soluções, venham de onde vierem, para defender os interesses da cidade e do concelho.

Talvez já não se lembrem da proposta de um candidato, em vésperas de perder as eleições de 2001, da construção de um World Trade Center no Convento de S. Francisco. Falo nisto para a associar à proposta do mesmo candidato, em vésperas de perder as eleições de 2017, da construção de um Aeroporto Internacional em Cernache. O calendário político de Manuel Machado divide-se em dois períodos: o da inatividade, que dura três anos e meio e o da anedota, que dura seis meses antes de cada ato eleitoral, no qual arranja tempo para se desculpar pelo que não fez, para nos entreter com as suas anedotas e ainda lhe sobra algum para distribuir os milhões que não gastou com os projetos que não realizou.

Vamos olhar para a cidade e para o concelho numa perspectiva séria. Vamos encontrar forças para combater as presumidas inevitabilidades, vamos redescobrir-nos na sinergia das instituições da cidade e no imenso potencial do trabalho conjunto, vamos complementar-nos estrategicamente nos objectivos partilhados, vamos apostar nas alternativas ganhadoras, vamos perceber a necessidade de ir a jogo e que temos tudo para o ganhar.

Vamos pegar na Estação Velha e fazer dela um nó intermodal e uma entrada digna para a cidade. Vamos ou não vamos?

Vamos pegar no Convento de S. Francisco e encontrar para ele o Programa que não tem, e fazer dele o centro e a pedra de toque de uma estratégia cultural abrangente e atual, como esta cidade merece. Vamos ou não vamos?

Vamos pegar no Parque Tecnológico de Coimbra, cortar-lhe o mato e as silvas que o afogam e transformá-lo no símbolo de uma nova estratégia de criação de empresas e de empregos na cidade e no concelho. Vamos ou não vamos?

Vamos pegar na classificação de Património da Humanidade, que tanto esforço nos deu a conseguir, e aproveitá-la como enquadramento e articulação de uma nova política de requalificação do património, desenvolvimento turístico da cidade, critério de futuro e desenvolvimento. Vamos ou não vamos?

Vamos atrair aqueles que a cidade rejeitou, quer porque os esquece quando saem, quer porque os esquece quando ficam: dezenas de idosos náufragos em águas furtadas sem elevador, em edifícios desertos de um centro sem alma e sem vida, crianças e jovens sem acesso a espaços lúdicos de qualidade, pessoas de todas as idades a quem foi retirado o privilégio de viver numa cidade com Centro. Vamos ou não vamos?

Vamos olhar para o rio, concretizar o desassoreamento e defender a cidade contra a gestão danosa das barragens - que teria evitado as cheias de 2001 e de 2016 - levada a cabo com o silêncio cúmplice de quem nos deveria defender. Vamos ou não vamos?

Vamos fazer tudo isto com transparência, recorrendo a competências internas e externas, mas nunca ao compadrio e ao nepotismo, na legalidade de procedimentos e na abrangência de opiniões. Vamos ou não vamos?

Vamos levar à Presidência da Assembleia Municipal a Dra Filomena Girão. Vamos ou não vamos?

Vamos levar à Presidência da Câmara Municipal o Prof. José Manuel Silva. Vamos ou não vamos?

Pavilhão dos Olivais, 24 de setembro de 2017

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