A Coimbra que será



Existem, em Coimbra, duas cidades.

Uma, que se acomoda à sombra dos velhos fantasmas, confortavelmente instalada no tempo e na história, a olhar para si e a reclamar o respeito dos outros pela sua nobreza decadente: a cidade dos que não souberam antecipar a mudança e que por isso se afundaram como ela.

E depois, há uma outra cidade que aloja a melhor incubadora de base tecnológica do mundo (gerida pela Universidade), a cidade do Hospital de excelência e da Universidade de prestígio, da Critical Software e da Bluepharma, a semente da cidade que será.

Há uma cidade de casas decrepitas e abandonadas. De vidros partidos e de telhados abertos à intempérie. De pessoas conformadas com o desgaste físico dos materiais e com a degradação psicológica das vontades.

E depois, há uma outra cidade que cuida do seu património e se revê na fruição colectiva dos espaços rejuvenescidos, que se levanta para cuidar do que é seu e para reclamar, e obter, o reconhecimento de um estatuto que há muito lhe pertence como património cultural, que sempre foi, da Humanidade.

Há uma cidade de gentes e de métodos parados no tempo e na burocracia, de dossiês alinhavados em cima do joelho, que tenta sublimar no que já foi, a angústia do que não será.

E há uma outra cidade que sabe avaliar realisticamente as suas forças e as suas debilidades, estudar os problemas, defender os seus pontos de vista, preparar candidaturas e levá-las até à suprema consagração dos projetos vencedores.

Há uma Coimbra que nunca está satisfeita com o que tem; e uma outra que sabe que terá sempre tudo o que for capaz de conquistar e nada do que estiver à espera que lhe deem.

Que ninguém se deixe enganar. As divisões de Coimbra já não se colocam no plano da rivalidade entre doutores e futricas, entre Alta e Baixa, entre Universidade e cidade, entre margens esquerda e direita, entre Académica e União, entre Brasileira e Arcádia.

Elas encontram-se, hoje, dentro de cada um de nós, entre o risco de acreditarmos nas inevitabilidades e a vontade para nos redescobrirmos nas alternativas, na sinergia das instituições da cidade e no imenso potencial do trabalho conjunto, para nos complementarmos estrategicamente nos objectivos partilhados, para percebermos a necessidade de ir a jogo e que temos tudo para o ganhar.

Os velhos protagonistas de sempre prometem tudo uma vez mais, bolorentos, requentados, suburbanos, sem consciência ou sem vergonha do que não fizeram. Todos os dias escorrem milhões para subsídios avulso e outdoors milionários. Onde estiveram esses milhões e esses protagonistas nos últimos três anos e meio? Quem pensam eles que enganam?

Se está contente com a cidade actual, a sua escolha deve ir para a Coimbra que não conseguiu ser.

A minha decisão é a de apostar na Coimbra que será.

Por isso vos proponho José Manuel Silva.

#JoséManuelSilva #somoscoimbra #Coimbra

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