SC defende o "Anel à Pedrulha" e uma ligação entre as circulares de forma direta e natural


Intervenção do Somos Coimbra sobre a Ligação entre as Circulares Interna e Externa – Acesso ao Hospital Pediátrico, apresentada na Reunião de Câmara de 22 de março


O Somos Coimbra agradece aos serviços técnicos a apresentação do historial e a análise comparativa solicitada pelo Movimento, a qual, mesmo que superficial, é fundamental para dotar este executivo de alguns pós e contras resultantes da aplicação de cada uma das duas soluções em análise.


Tal como avançado pelo Somos Coimbra, a informação técnica confirma não só a existência do projeto de execução do "Anel à Pedrulha", aprovado pela CMC em 2011, como a intenção de integrar o trecho de ligação entre as circulares interna e externa, no sentido de lhe conferir continuidade, potenciando uma ligação direta entre o norte da cidade e a zona do Pediátrico/HUC/Olivais e Celas.


Surpreende-nos, por isso, que a CMC insista em propor a execução de um projeto que contraria a intensão plasmada em PDM, mas sobretudo que quebra essa indispensável continuidade e naturalidade da solução de traçado. Parece-nos que, se por um lado, a CMC assume que houve várias versões quer do traçado do "Anel à Pedrulha", quer do plano de urbanização de Lordemão e que nada está consolidado; por outro lado, quer desde já assumir compromissos e investimentos avultados na construção de uma ligação que pouco ou nada irá resolver em termos de fluidez de tráfego, e que mais tarde pode vir a condicionar o desenvolvimento de soluções globais mais integradas e portanto adequadas e ajustadas ao local.


De uma análise ligeira, o Somos Coimbra facilmente apresenta uma 3ª alternativa [ver imagem acima]. Aliás, não é diretamente percetível porque não é ponderada a criação de uma solução integrada (eventualmente uma rotunda ligeiramente alongada na Circular externa) que permita tirar proveito da passagem superior integrada no nó da “Corrente”, melhorando a acessibilidade a este lugar e ao Hospital privado aí existente, viabilizando igualmente um ponto de arranque no acesso ao Pediátrico que permita aumentar a extensão do trecho em análise e assim baixar a inclinação longitudinal previsível de 12% para os 7 ou 8% regulamentares (ver esquema apresentado). Essa ligação, materializada a oeste, para além de assegurar benefícios na acessibilidade ao lugar da Corrente, Mainça e Lordemão, torna-se ainda atrativa em relação a tráfego com origem a partir da estrada de Vale de Figueiras, permitindo assim mitigar os problemas de procura na atual rotunda da Fucoli. Ao mesmo tempo, e por se desenvolver em terrenos mais afastados da encosta, tenderá a envolver menores riscos de escorregamentos de terras resultantes de movimentos de terras e sem grandes impactes sobre a Ribeira de Coselhas. Complementarmente, a deslocalização da rotunda desnivelada sob circular externa para oeste, traduz-se numa considerável redução da extensão do viaduto (190 m), podendo ser substituída por duas passagens inferiores de custos reduzidos.


Esta primeira análise demonstra como é prematura a construção desta ligação sem a consolidação do traçado do 1º trecho ao "Anel à Pedrulha" nem do plano de urbanização de Lordemão, cuja elaboração e consolidação defendemos a quando da aprovação da 2ª alteração ao PDM aprovada em reunião de Câmara de câmara de 21/12/2020. Por tudo isto, o Somos Coimbra defende ainda que importa envolver nesta decisão o parecer do Departamento de Planeamento e Estudos Estratégicos, responsáveis pelo enquadramento viário e urbanístico municipal.


Apreciamos de forma particular a indicação patente na informação técnica quando se defende que a relevância destes projetos deve ser reavaliada no tempo, face à alteração dos planos e das políticas de mobilidade urbana. Por estarmos de acordo é que muito recentemente (reuniões de câmara de 08/02 e 08/03) sugerimos a reavaliação da relevância da ligação estruturante entre a circular interna e a R. Virgílio Correia, mas para a qual ficámos sem qualquer resposta por parte da CMC.


Bem diferente é a situação hoje em avaliação. Mesmo face às políticas de mobilidade atuais, voltadas para a promoção dos modos suaves, importa ter presente que o veículo automóvel não pode nem deve nunca ser banido do sistema, devendo para isso ser estruturada a rede viária da cidade para garantir a circulação rodoviária em torno do meio urbano e evitar o seu atravessamento. Essa estrutura rodoviária deverá ser devidamente complementada por uma rede de parques periféricos onde deverá ser fomentada a transferência modal em qualidade e conforto para o transporte público e para os modos suaves.


É certo que a construção do "Anel à Pedrulha", no valor de 42 milhões de euros acrescido da compra dos terrenos, é uma obra dispendiosa, mas também é certo que esse custo pode ser francamente reduzido se for faseado no tempo, designadamente mediante a redução do perfil transversal a uma única faixa de rodagem, tal como estava a ser avaliado em 2012.

A ligação viária entre a A13 e o IP3, com nó em S. Romão, não deixa de ter algum paralelismo com o "Anel à Pedrulha", mas se a CMC não é capaz de angariar 42 milhões para concretizar o "Anel à Pedrulha", muito menos viável será assegurar mais de uma centena de milhões para concretizar essa via estruturante de relevância fundamentalmente regional. O "Anel à Pedrulha", por se aproximar do espaço urbano e para além de servir o tráfego com origem no IP3, serve igualmente todo aquele oriundo da zona norte, como Mealhada, Trouxemil e Adémia, assumindo por isso maior relevância a nível municipal.


Assim, e enquanto não for tecnicamente comprovada a definição de uma solução mais eficaz, o Somos Coimbra continuará a defender a relevância, em termos rodoviários, do "Anel à Pedrulha" e por inerência uma ligação entre as circulares interna e externa de forma direta e natural nos termos já projetados no designado Anel.


Abstemo-nos nesta votação porque a partir de outubro ainda iremos a tempo de corrigir os graves erros do limitado projeto que hoje nos é presente.

Os vereadores do Somos Coimbra

Ana Bastos

José Manuel Silva



22 de março de 2021