Em quem não vou votar, e porquê.



Estamos aqui hoje para dar mais um passo nesta caminhada, para agregar mais ideias, mais vontades e mais votos, os votos que hão-de levar em Outubro, José Manuel Silva à Presidência da Câmara Municipal de Coimbra.

Temos dois meses para percorrer estes duzentos metros que separam a sede de candidatura que hoje inauguramos, dos Paços do Concelho que são o nosso principal objetivo. Para o concretizarmos, vamos precisar de muito trabalho, de muito entusiasmo, de muita dedicação. Felizmente, estes são recursos de que dispomos em abundância.

E sabendo vocês, ou pelo menos desconfiando, de que forma exercerei o meu direito de voto, vou começar por dizer-vos, ao jeito de João das Regras, em quem não vou votar, e porquê.

Não vou votar em quem não sabe defender uma estratégia de mobilidade para esta cidade, deixando que se sobreponham aos nossos interesses, os interesses das empresas de transporte ferroviário, a CP, a REFER - Infraestruturas de Portugal, e os das cidades servidas pela antiga linha da Lousã.

Não vou votar em quem assiste todos os anos a inundações das nossas zonas ribeirinhas, que apenas encontram explicação no crónico adiamento das obras de dragagem do rio e na deficiente operação das barragens efetuada pela EDP contra as regras estabelecidas, com a complacência do poder central e a passividade da Câmara, à qual devia competir a defesa intransigente do que é melhor para a cidade.

Não vou votar em quem não conseguiu ainda encontrar uma solução para o problema crónico de uma Estação Velha cada vez mais velha.

Não vou votar em quem não é capaz de formular um Programa ou dar uma finalidade ao Convento de S. Francisco, desbaratando milhões que a cidade gastou e colocando-o na extensa prateleira das promessas falhadas.

Não vou votar em quem deixou o Coimbra iPark ao abandono, em quem manteve esta estrutura na ilegalidade, com contas por aprovar durante mais de três anos, porque com isso tornou evidente de que não tem qualquer ideia para dinamizar o tecido empresarial do concelho, ou para atrair investimento, ou para criar empregos, ou para inverter a sangria dos nossos jovens qualificados?

Não vou votar para que a estratégia urbanística da cidade continue a ser fator de abandono da baixa e da alta.

Não vou votar para que o sucesso da candidatura da Universidade de Coimbra a património cultural da Humanidade continue a ser desbaratado nas mãos de quem não sabe o que há-de fazer com ele, ou de como o aproveitar em benefício da comunidade.

Não vou votar para que continuem a nascer estátuas pindéricas nas nossas rotundas, ou programação cultural pindérica nas nossas salas.

Não vou votar em quem mantém os técnicos da Câmara na prateleira e ignora as contribuições qualificadas de especialistas, enquanto se substitui a todos eles, no faz e desfaz das decisões tomadas em cima do joelho, concretizadas com o nosso dinheiro, sem conhecimento e sem vergonha.

Não vou votar para que o meu candidato seja muleta de ninguém, nem segundo nem terceiro de nenhum primeiro.

Não vou votar em respeito resignado a uma qualquer estratégia nacional que não me respeita a mim, porque tenta impingir-me despudoradamente os mesmos nomes de sempre, velhos e cansados mesmo quando eram novos, já lá vão muitos anos e muitos mandatos. Será necessário recordar-vos quantos?

Não. Não vou votar nos "mais do mesmo". Vou votar na mudança, no trabalho, na independência.

Vivemos em democracia há mais de quarenta anos. Neste período, acumulámos a experiência eleitoral que nos permite distinguir as pessoas que interessa e precaver-nos contra os argumentos tolos.

Na Universidade, como todos sabemos, existem pessoas boas e pessoas menos boas. Fora da Universidade, como também sabemos, acontece exatamente o mesmo. Não se trata aqui de votar pela Universidade ou contra ela. Trata-se, sim, de fazer a melhor escolha, venha de onde vier, para governar a cidade.

Os partidos são essenciais ao desenrolar de uma normal vida democrática. Mas a democracia não se esgota nos partidos e quando os partidos não se mostram capazes de cumprir a sua parte do contrato, a participação cidadã em iniciativas independentes já mostrou ser capaz de ganhar eleições locais e de liderar de forma competente e eficaz uma grande cidade. Não se trata, portanto, de votar a favor ou contra os partidos. Trata-se, sim, de encontrar os melhores nomes, venham de onde vierem, para defender as soluções que melhor sirvam os nossos interesses.

Por isso, se eu fosse militante ou simpatizante do Partido Socialista, escolheria este momento para proporcionar a Coimbra um bom Presidente de Câmara, sem que isso constituísse uma vitória do meu principal adversário.

Por isso, se eu fosse militante ou simpatizante do Partido Social Democrata, escolheria o momento para lembrar à direção do meu partido, sem que isso constituísse uma vitória do meu principal adversário, que é mais credível prometer mudança com rostos novos.

Por isso, se eu fosse militante ou simpatizante do Partido Comunista Português ou do Bloco de Esquerda, escolheria o momento para mostrar à direção do meu partido que a defesa da geringonça não obriga a alianças locais que nos envergonham, como o fizeram uns no passado recente, como se propõem outros fazer no futuro próximo.

Por isso, se eu tivesse participado há quatro anos no Movimento "Cidadãos Por Coimbra", aproveitaria a ocasião para recusar tutelas partidárias e reforçar a minha independência, agora com maior capacidade de intervenção na escolha das melhores decisões para a cidade.

Em Outubro de 2017, em Coimbra, uma candidatura independente é um gesto legítimo e necessário.

Por isso vos proponho José Manuel Silva.

Porque com ele, vamos conseguir dar a volta a este momento difícil da vida da nossa cidade e do nosso concelho.

Discurso proferido durante a inauguração da sede do Movimento Somos Coimbra