Coimbra “sem um rumo estratégico” no Turismo


Intervenção do vereador José Manuel Silva na Reunião de Câmara de 13 de julho de 2020


O movimento Somos Coimbra organizou uma tertúlia sobre como recuperar o Turismo em Coimbra, o que permitiu um debate muito interessante, contando com a presença de Assunção Ataíde, Pedro Machado e Luís Simões da Silva.


É certo que a Câmara tem nas suas GOP para 2020 o Programa 02 003 “Dinamização e Promoção do Turismo”, do qual constam algumas medidas, mas sem um rumo estratégico, prevendo-se apenas alguns investimentos de animação e promoção turística.


Agora é preciso muito mais. Porém, surpreendentemente, no PMEES que hoje vem à Câmara, nem uma palavra sobre turismo. Numa cidade que tanto depende do Turismo, como pode falar-se em Estabilização Económica e Social sem dedicar uma atenção muito particular ao Turismo?


Esta falta de sentido estratégico explica porque o concelho de Coimbra, na produção de bens para exportação, incluindo o turismo, está em 65º lugar nacional, com somente 176 milhões de euros, atrás de concelhos como Beja, Pombal, Lousada, Esposende, Covilhã, etc. Ainda segundo a base de dados da PORDATA, relativamente à estada média nos alojamentos turísticos em 2018, considerando os turistas nacionais e estrangeiros, com 1,5 noites de média, Coimbra está classificada no 239º lugar nacional; era difícil estar pior.


Como estes indicadores demonstram inquestionavelmente, é preciso fazer muito mais em Coimbra, da responsabilidade da Câmara Municipal.


Pedro Machado trouxe-nos boas notícias, a marca Coimbra não sai atingida, pois o produto turístico não é afectado pela pandemia, o que permite perspectivar uma rápida recuperação pós pandemia.


Porém, é fundamental transmitir a sensação e a confiança de segurança e sustentabilidade sanitária aos potenciais turistas, é necessário comunicar intensamente e é fundamental diversificar circuitos por outros pontos de interesse. Não basta fazer um pequeno filme promocional de vez em quando.


Vamos ter de contar com o mercado nacional e algum turismo espanhol durante cerca de um ano e o mercado interno vai ser muito competitivo a disputar os turistas nacionais.


É necessário fomentar o turismo espiritual e religioso. Senhor Presidente, para quando a aquisição do edifício com o mikveh judaico, que é agora mais importante do que nunca?


Outra orientação estratégica é a necessidade de Coimbra fazer um caminho de Cidade-Região, como fez, por exemplo Barcelona e outras cidades. Também numa tertúlia organizada por nós, talvez há cerca de dois anos, quando era presidente da APBC, Vítor Marques fez uma brilhante intervenção sobre o conceito de Turismo 24K; infelizmente este conceito não tem sido trabalhado por Coimbra, com óbvios prejuízos locais.


Luís Simões da Silva fez uma intervenção muito interessante sobre o papel da UC no domínio do Turismo , mostrando-nos que a UC está bem viva. Infelizmente parte do património da UC ainda não é visitável, ou é dificilmente visitável, algo em que é preciso continuar a trabalhar intensamente.


Também ele falou na importância de se promover uma oferta integrada e de valorizar as parcerias com as ofertas da região. Ficámos expectantes na apresentação novos produtos turísticos, nomeadamente no conceito de Coimbra by night, que o Turismo de Coimbra deveria acarinhar e trabalhar de forma regular, naturalmente numa perspectiva mais turística, onde também se pode incluir saudavelmente a boémia académica; as hipóteses e os recursos são muitos, metam-se mãos à obra.


Assunção Ataíde trouxe-nos a difícil realidade do Comércio da Baixa, que está extremamente deprimido. Porém, pela sua intervenção, verificámos que a Baixa está bem liderada, com um redobrado dinamismo da APBC.


Curiosamente, os fãs da nossa Baixa são os estrangeiros, pelo que é urgente atrair as pessoas de Coimbra à Baixa e dar-lhes motivos para voltarem a acreditar e fruir do seu centro urbano.


Infelizmente, a Baixa está desabitada e os seus habitantes actuais não encantam as pessoas que a visitam. Há muito trabalho para fazer e já aqui apresentamos a proposta de uma espécie de Plano Marshall para a Baixa, que a Câmara ignorou. Não é um pequeno museu de arte contemporânea, instalado naquele que já é o principal circuito turístico da cidade, que vai mudar esta realidade.


Vou aqui referir apenas dois dos cinco eixos estratégicos apresentados, que carecem da colaboração da Câmara, que, como habitualmente, tarda.


Desenvolver novos conceitos como, por exemplo, o da happy hour. Sr. Presidente, corresponda ao que lhe foi solicitado, por favor, não custa quase nada. A Baixa de Coimbra merece toda a nossa atenção.


Investir na Comunicação e desenvolver a marca Baixa de Coimbra, particularmente virada para o turista nacional e para os habitantes de Coimbra, mas também para os estrangeiros e os operadores turísticos. O desenvolvimento de parcerias é fundamental, a participação da Câmara é nuclear.


Além disso, a Baixa não pode caminhar sozinha, pelo que é fundamental investir em mais

segurança, mais higiene, mais limpeza e mais acessibilidade. Há soluções fáceis.


Sr. Presidente, a CMC reserva para a Dinamização e Promoção do Turismo apenas 807000 euros. É insuficiente para o momento presente, pelo que lhe propomos que considere reforçar esta verba. O Turismo é essencial para a recuperação económica do concelho de Coimbra.

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