SC exige um serviço de obstetrícia/neonatalogia que ombreie com hospitais de S. João e Stª Maria



Cartoon da autoria do Movimento Humor


Intervenção do vereador José Manuel Silva Reunião de Câmara de 23 de novembro de 2020


Tenho a certeza que ninguém nesta sala coloca em causa a isenção, o rigor e a qualidade da Profª Teresa Almeida Santos, diretora do Departamento de Ginecologia, Obstetrícia, Reprodução e Neonatalogia do CHUC.


O assertivo grito de alerta que nos trouxe não pode ser ignorado: as duas maternidades estão em colapso iminente e não dispõem de serviços essenciais, a construção da nova maternidade, que é uma emergência, não pode ser um campo de batalha política, os estudos técnicos que estão feitos apontam todos no mesmo sentido, ninguém apresentou nenhum outro com conclusões diversas (e podiam tê-lo feito, se fossem possíveis outras conclusões...), e existe a convicção entre os profissionais das duas maternidades que a localização no campus dos HUC assegura a segurança das grávidas, das puérperas e dos recém-nascidos pela proximidade a todas as especialidades de adultos e pediátricas.


A medicina evoluiu extraordinariamente e tornou-se bem mais complexa e exigente, pelo que não é tolerável que uma decisão de tão grave importância técnica e com enormes consequências vitais esteja a ser objeto de uma interminável batalha política que relega para terceiro plano os critérios médicos e as necessidades das vidas duplamente em jogo.


Teresa Almeida Santos lamenta que “os argumentos aduzidos colocam fora da equação quem devia estar em primeiro lugar: as grávidas, as mães e os bebés” e entende que, assim como nós também entendemos e exigimos, “o melhor para as grávidas, mães e bebés é que a decisão seja tomada rapidamente, tendo em vista a sua segurança, bem-estar e futuro”.


A todos aqueles que estão a meter o pau na roda desta decisão, numa política primitiva do ‘vale tudo’, queremos dizer clara e frontalmente que são responsáveis por estar a colocar em risco as vidas das nossas grávidas e dos nossos bebés.


O grande culpado de tudo isto é o PS, que se contradiz e que nem no seu seio se entende. Deixem-se de politiquices e de populismos, decidam e façam! Há vidas humanas em risco, o que é que não querem ou não conseguem entender?!


Vale a pena recordar um pouco de história.


Para sermos rigorosos, Coimbra nunca teve dois hospitais centrais polivalentes do Grupo III, mas apenas um, se considerarmos o somatório dos HUC e do CHC, que, embora com administrações hospitalares independentes, tinham de funcionar complementarmente.


Na verdade, os HUC, antes da constituição do CHUC, nunca teve nenhuma especialidade pediátrica, nem Genética Médica, pois o Hospital Pediátrico pertencia ao CHC, e o Hospital dos Covões nunca teve serviços de Dermatologia, Reumatologia, Endocrinologia, Cirurgia Cardiotorácica, Angiologia e Cirurgia Vascular, Cirurgia Maxilo-Facial, Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, Imunoalergologia, Medicina Nuclear, Oncologia Médica e Psiquiatria. Hoje está ainda mais longe de ser um hospital central, pela mão destrutiva do PSD e do PS.


Quando convidou Marta Temido para ser Ministra da Saúde e para ser a primeira candidata a deputada por Coimbra, bem sabia o PS o que a mesma pensava sobre o Hospital dos Covões, não vale a pena fazerem-se de ingénuos, basta ler o Plano Estratégico do CHC 2006-2010, então presidido por Rui Pato, com Marta Temido como vogal executiva e Deolinda Portelinho como diretora clínica. Cito apenas quatro frases desse plano:


  • O Hospital Geral, servido por maus acessos rodoviários.

  • O edifício em que está instalado o Hospital Geral – na sua origem construído para uma escola destinada ao ensino dos órfãos da I Grande Guerra e, mais tarde, adaptado para instalar o Sanatório da Colónia Portuguesa do Brasil – encontra-se, hoje, completamente desadaptado face às práticas clínicas, às regras de segurança, higiene e conforto dos utentes e aos imperativos de uma gestão eficiente... Deste circunstancialismo resultou um hospital pouco eficiente.

  • Incipiente cultura de responsabilização.

  • Desinvestir nas valências que, numa lógica de articulação e complementaridade com as restantes unidades prestadoras de cuidados de saúde da cidade, não confiram à instituição valor acrescentado”. Etc., etc.. São muito poucas as áreas definidas para desenvolvimento.


Meus Senhores, que fique definitivamente claro, a única linha vermelha do movimento Somos Coimbra não é uma questão de margens do Mondego. Queremos e exigimos para Coimbra um serviço de obstetrícia e neonatalogia que ombreie com os respetivos serviços do Hospital de S. João e do Hospital de Santa Maria, dispondo dos mais modernos recursos técnicos e do acesso imediato a todas as especialidades, para bem da vida das nossas grávidas e dos nossos bebés. Recusamo-nos a admitir que os casos mais complexos e exigentes tenham de ser transferidos para o Porto ou para Lisboa. Não podemos eternizar Coimbra no passado que já passou e que não tem comparação com o presente e o futuro.


Assim, porque Somos Coimbra e Somos Construtivos, porque defendemos o Hospital dos Covões e a total dedicação da Quinta dos Vales à Saúde, apresentamos as seguintes propostas e desafiamos o PS a recordar Mendes Silva e meter mãos à obra, deixando de meter o pau na roda e prejudicar Coimbra. Como há dinheiro e é emergente, escolham e façam, deixem de remeter-se a esse papel caricato de serem ‘contra’ e de bloquearem o progresso de Coimbra:

  • Invistam num novo Hospital Central Polivalente nos Covões e façam lá a maternidade. Para esta solução serão necessárias centenas de milhões de euros. Respondam sem subterfúgios, os senhores são capazes de trazer esse investimento para Coimbra, ou não? Nós apoiamos total e entusiasticamente! Só assim será possível fazer a nova maternidade na Quinta dos Vales. Ou estão a fazer como no aeroporto internacional de Coimbra, prometem, prometem e defendem, até dão a palavra de honra, e não fazem nada?

  • Se assim for, vai sobrar espaço livre no edifício principal dos HUC, podendo lá ser construída a nova maternidade Daniel de Matos. De qualquer modo, como há dinheiro e muita urgência, pode avançar já esta maternidade e, o mais rapidamente possível, ser construída a Bissaya Barreto no novo Hospital dos Covões.


Façam já, não metam mais o pau na roda, até porque, sejamos claros e rigorosos, o PDM referente ao campus dos HUC afirma que as operações urbanísticas nesta área, de construção e ampliação, não estão sujeitas à aplicação de índices ou parâmetros de edificabilidade, embora devam garantir uma adequada inserção urbana. Portanto, ao contrário do que já foi erradamente dito, o PDM não impede a nova maternidade nos HUC.


Há sete anos que o PS trava a construção da maternidade nos HUC, sem fazer avançar qualquer solução alternativa. Teremos de esperar 30 anos, como no polo III da UC? É um crime contra os bebés, contra as mães e contra Coimbra.