Que zonas fora do centro de Coimbra pedem investimento e qual? - Contributo do SC para a Coolectiva


Imagem da "Coolectiva"

A Coolectiva perguntou aos diversos líderes políticos da cidade "Que zonas fora do centro de Coimbra pedem investimento autárquico e qual?", no âmbito da habitual rubrica "Questões Coimbrãs".


Ana Bastos, vereadora do Somos Coimbra, respondeu em nome do Movimento, num contributo que aqui transcrevemos:


"O nível de ruralidade que caracteriza as zonas suburbanas de Coimbra é o maior indício da falta de investimento autárquico. As Freguesias do concelho estão sujeitas a sérios constrangimentos financeiros, reduzindo a autonomia e eficácia na gestão e estrangulando a sua capacidade de intervenção. No processo de descentralização de competências, a CMC transferiu para as freguesias pouco mais do que a limpeza de ruas e corte de relva, centralizando na CMC as tarefas de gestão potenciadoras do desenvolvimento económico, da sustentabilidade do território e da participação cívica dos cidadãos.


Apesar de a Assembleia Municipal ter aprovado, em 2019, uma moção que recomendava à CMC transferir 10% do seu orçamento para as Freguesias, essa dotação cifra-se nos 4%. É premente concretizar uma real descentralização, dotando todas as freguesias de meios para executarem as suas atribuições, em resposta direta às necessidades da população. Um investimento prioritário passa por criar espaços públicos atrativos e uma rede de passeios contínua, segura, inclusiva, de qualidade e bem iluminada. É preciso criar praças, jardins e centros cívicos que potenciem a socialização e o desenvolvimento sociocultural. A população carece de serviços sociais de apoio de proximidade que permita aos mais idosos manter uma atividade autónoma, ativa e saudável, retardando a institucionalização.


No acesso aos transportes, todos os munícipes do concelho devem ter os mesmos direitos. Saudamos a ida dos SMTUC às Freguesias de Souselas, Botão e Brasfemes, mas a zona servida pela N111 e outros lugares mantêm-se com serviço deficiente e nas mãos dos operadores privados. É preciso tirar partido do futuro sistema de Metrobus, com planos de densificação urbanística do canal e, em particular, das estações suburbanas, um instrumento potenciador do desenvolvimento urbanístico e económico dos espaços atravessados. Urge concluir o saneamento básico em todo o concelho.


É essencial captar investimentos e recuperar o tecido empresarial abandonado, enquanto estímulo à criação de emprego e à competitividade da economia local. É ainda preciso dinamizar as zonas industriais da Pedrulha, de Taveiro e o iParque tirando partido direto do IPN e das Instituições de Ensino Superior. Só a eliminação dos desequilíbrios resultantes da injusta repartição de recursos entre o centro e a periferia poderá assegurar os meios de proximidade que permitam satisfazer as necessidades e propiciem a igualdade de oportunidades a todas as pessoas."