Onde estão os aparelhos contratualizados pelos SMTUC à STRA?



Os aparelhos do sistema de manutenção preditiva dos autocarros dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), objeto dos contratos por ajuste direto com a empresa do filho do ex-vereador Jorge Alves, a STRA SA e que levaram à sua demissão, terão sido retirados dos autocarros [ver fotografias acima].


Com efeito, o Somos Coimbra teve conhecimento que, no final da semana passada e a horas tardias, os equipamentos foram retirados do interior dos autocarros onde antes estavam instalados. Nesse sentido, há uma série de questões que o Somos Coimbra entende que devem ser obrigatoriamente clarificadas:


  • Quem autorizou a retirada dos aparelhos? Agora que o ex-vereador Jorge Alves já não faz parte do Conselho de Administração, Francisco Queirós e Regina Bento têm de esclarecer qual a sua intervenção neste novo episódio.

  • Tanto quanto sabemos, a retirada foi feita por pessoas da STRA. Se não foram retirados a pedido dos SMTUC, como conseguiram entrar pessoas externas ao Serviço no local (que é vedado e vigiado)?

  • Qual a justificação para a retirada dos aparelhos? Para serem reparados, por muitos estarem avariados ? Se sim, por que motivo só agora ?

  • Tanto quanto sabemos, quase todos os aparelhos foram retirados. Isso não interfere com a investigação do Ministério Público?


Face à gravidade da situação, sobretudo perante a investigação do Ministério Público, o Somos Coimbra enviou, ontem, dia 8, uma participação sobre o ocorrido ao Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra. Também na Reunião de Câmara de ontem, o vereador José Manuel Silva pediu que fosse entregue aos vereadores um relatório relativo à utilização, funcionamento, resultados e destino do sistema e aparelhos contratualizados pelos SMTUC à STRA. José Manuel Silva questionou ainda a coligação PS-PCP se estes aparelhos ainda se encontram instalados ou se já tinham sido retirados, porém não obteve qualquer resposta.


O Somos Coimbra sublinha ainda o facto de o Presidente e o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado e Carlos Cidade, se recusarem a dar explicações ao povo de Coimbra, remetendo as suas justificações apenas para a instância judicial, onde serão obrigados a apresentá-las.


Numa matéria com esta relevância pública, repudiamos a recusa destes responsáveis eleitos em prestarem as devidas contas políticas aos munícipes do concelho, conforme devia ser próprio de um Estado Democrático. No nosso entendimento esta recusa resulta do simples facto de não terem justificação válida para o sucedido e para os seus alegados e improváveis desconhecimentos depois de tantos anos de convívio, partilha e trabalho entre camaradas.



Somos Coimbra

9 de março de 2021