O espelho do atraso e da arbitrariedade


Inúmeros adolescentes conseguem montar uma videoconferência no espaço de minutos, mas a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) não consegue fazê-lo em duas semanas. A Universidade de Coimbra suspende as aulas presenciais a partir do dia 10 de março, a 18 de março o concelho de Ovar é isolado, mas a reunião da Câmara do dia 23 de março ainda é presencial porque, nas palavras do Presidente da CMC, "não estão reunidas as condições técnicas necessárias para a realização da próxima reunião por videoconferência".


A situação de emergência em que o país vive torna visível o atraso atávico de algumas instituições. Os serviços de informática da própria CMC teriam conseguido montar a videoconferência sem qualquer dificuldade, mas o Partido Socialista (PS) não o quer, porque não se sente à vontade com estas tecnologias modernas. São gente do século passado. Chegam ao ponto de entender que uma reunião por videoconferência é "suspender a democracia", quando o Conselho de Estado, que deu parecer favorável à declaração do Estado de Emergência, reuniu precisamente por videoconferência.


O atraso tem custos graves. Imensos trabalhadores da CMC, cujas funções permitem inteiramente o teletrabalho ou simplesmente ficar em casa porque os respetivos serviços foram encerrados, continuam obrigados a estar nos serviços da Câmara, colocando em risco a sua saúde e dos seus próximos, quando todos os esforços deveriam ser colocados em evitar o contacto social e as deslocações desnecessárias.


A arbitrariedade das decisões é também patente na justificação das faltas. Para alguns dos vereadores que faltaram à reunião, o PS e o Partido Comunista Português (PCP) reconhecem que a reunião é um risco de saúde, para os próprios e para terceiros e dão a falta por justificada. Mas, para os vereadores do Somos Coimbra, alvo de discriminação por parte da coligação PS-PCP, apesar da longa justificação apresentada, já não há risco, e a falta é injustificada. Por exemplo, o facto de um dos vereadores do Somos Coimbra ser médico no ativo no CHUC, e estar todos os dias em contacto com doentes em quem a Covid-19 seria quase de certeza fatal, não é, para o PS e para o PCP, um problema. É o cúmulo da arbitrariedade.


Anexo:

Como ajuda para o PS de Coimbra listamos abaixo algumas das soluções de videoconferência disponíveis instantaneamente, que apenas necessitam de computadores pessoais normais para funcionar, e que os serviços de informática da CMC estão aptos a operacionalizar de um momento para o outro:


Acresce que todos os operadores de telecomunicações portugueses montam videoconferências com enorme rapidez.

Movimento Somos Coimbra, 24 de março de 2020