O declínio de Coimbra, que urge inverter


Opinião de José Manuel Silva, publicada no "Jornal de Notícias" a 11 de fevereiro


Para um município que já foi o terceiro do país, é fundamental analisar alguns parâmetros da PORDATA e do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses de 2018. São dados estatísticos objectivos e independentes, que merecem reflexão.


Cada vez com menos peso político, Coimbra já é somente o 19º concelho nacional, com 134 mil residentes, continuando a perder população, pelo que será em breve ultrapassada por Famalicão e por Leiria.


Coimbra é apenas o 53º concelho em empresas não financeiras/100 habitantes e somente o 60º concelho em bens exportados (incluindo o turismo), atrás de concelhos como Nelas, Alenquer, Vizela, Covilhã, etc.


Coimbra é o pior concelho do país na perda de jovens residentes dos 24-29 anos, por falta de emprego, tendo perdido 55% destes jovens nos últimos 17 anos, quando a redução média do país foi somente de 34%. Quase todas as famílias de Coimbra viram os seus filhos e netos serem obrigados a abandonar Coimbra para trabalhar e viver, por falta de oportunidades.

No indicador do nível de independência financeira dos municípios (relação receitas próprias/receitas totais), Coimbra está apenas em 23º lugar nacional, baixando a percentagem de 75,2%, em 2017, para 71%, em 2018.


Nos municípios com maior volume de receita cobrada, Coimbra está em 18º lugar, abaixo de Guimarães, Amadora, Setúbal, Famalicão, Almada, etc..


Em Coimbra, o IMI representa mais de 30% da receita cobrada, contra uma média nacional de 17,7%, o que traduz uma excessiva dependência do sector imobiliário, porque quase não há atividade industrial.


Na receita da derrama, Coimbra está num pobre 23º lugar, atrás de Gondomar, Amadora, Almada, Figueira da Foz, Aveiro, Leiria, etc.. Mas, pior, a colecta da derrama caiu de 9 milhões de euros, em 2017, para menos de 3 milhões, em 2018, estranhamente sem que a Câmara se preocupe e corrija as razões deste brutal decréscimo de atividade empresarial colectada em Coimbra.


Entretanto, as poucas áreas industriais de Coimbra continuam com lotes vazios e o concelho está pejado de carcaças de antigos espaços industriais falidos e não recuperados. Porém, há empresários que querem investir em Coimbra mas desistem e vão para outros concelhos, por causa das enormes taxas e lenta burocracia da Câmara, dois obstáculos a corrigir.


No cômputo geral dos indicadores contabilísticos, em 2017 este anuário já colocava o município de Coimbra num insuficiente 11.º lugar do “Ranking Global dos Municípios de grande dimensão”. Pois bem, em 2018 Coimbra desceu seis posições, para 17º lugar, com 794 pontos; em primeiro lugar e a enorme distância está Sintra, com 1782 pontos, num máximo possível de 2000 pontos.


Para alterar este panorama negro, com reflexos no mau estado de todo o concelho, é preciso alterar a política da Câmara. Infelizmente, Coimbra teve um muito baixo nível de investimento em 2018, estando classificada em 25º lugar nacional, com apenas 11,5 milhões de euros. É poucochinho.


Urge implementar uma estratégia política que permita inverter esta tendência e promover o desenvolvimento e crescimento de Coimbra.