Cardiologia do Hospital dos Covões a caminho do encerramento total

Afinal, o que querem o Ministério da Saúde e o PS para Coimbra?


O movimento Somos Coimbra soube que o Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) determinou que a partir do dia 1 de agosto terminaria a possibilidade de pernoita nos procedimentos invasivos realizados pela cardiologia de intervenção no Hospital dos Covões, reduzindo o leque de exames de hemodinâmica que aí seriam realizados.


O movimento Somos Coimbra também soube que, de forma unânime, os cardiologistas da Unidade de Intervenção Cardiovascular (UNIC) do Serviço de Cardiologia do CHUC reiteraram que esta situação eleva intoleravelmente o risco de complicações, podendo colocar em risco a vida dos doentes.


Se a decisão do CA do CHUC não for revertida, por falta de condições de segurança ficarão assim encerradas metade das salas de hemodinâmica do CHUC, que são quatro no total, duas em cada polo, com gravíssimas consequências para os doentes.


Na sequência das recentes declarações da Ministra da Saúde, importa referir que se desconhece qualquer estudo técnico que suporte esta decisão.


A pressão assistencial diária dada pelos síndromas coronários agudos internados no CHUC e pela via verde coronária que responde a Coimbra, Aveiro, Figueira da Foz, Covilhã, Castelo Branco e, em determinadas situações, Guarda e Leiria, dando cobertura a uma enorme extensão territorial, causará uma redução assinalável no número de procedimentos realizados em doença coronária complexa e não complexa e, particularmente, de intervenção percutânea estrutural, que habitualmente eram realizados no CHUC, com aumento das listas de espera.


A cardiologia de intervenção no CHUC ficará assim seriamente comprometida e gravemente desvalorizada, com consequências negativas para várias especialidades, nomeadamente com redução do apoio dado à Cardiologia Pediátrica e ao programa de transplantação cardíaca, deixando o CHUC de ter condições para ser Centro de Referência de Cardiologia Estrutural.


O movimento Somos Coimbra não entende e não tolera este contínuo esvaziamento do Hospital do Covões, sem sequer ser debatida e definida a sua missão geral e específica, muito menos aceitando a redução brutal da capacidade de resposta do CHUC aos doentes cardiológicos.


Afinal, o SNS continua a ser destruído em Coimbra pelas mãos do Partido Socialista, revelando quão falsas e demagógicas têm sido as declarações dos dirigentes locais do PS e da Ministra da Saúde, eleita deputada por Coimbra como cabeça de lista do PS.


O movimento Somos Coimbra exige a reabertura do internamento em Cardiologia, com presença física 24h/dia, no Hospital dos Covões, para o que são suficientes os recursos físicos e assistenciais que já existem, o que é fundamental para o normal funcionamento da UNIC e para a realização em segurança de procedimentos coronários mais complexos, bem como o reinício do programa de intervenção estrutural percutâneo.