Aldeia do Médico


Aldeia do Médico, um projecto com carácter estruturante para o desenvolvimento territorial do município de Coimbra


(Intervenção do vereador José Manuel Silva na reunião da CMC de 9 de Setembro de 2019)


O projecto da Aldeia do Médico tem sido objecto de algumas referências e comentários inapropriados e demagógicos, certamente por desconhecimento de quem os profere, pelo que considero ser conveniente e útil apresentar este ambicioso projecto a esta Câmara e a Coimbra.


Depois de um inquérito aos médicos, que validou o projecto por esmagadora maioria, em 2007 foi adquirido pela Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRC-OM), a que eu presidia, num acto validado e assinado pelo então Bastonário da Ordem, um valioso terreno de 10 hectares (que resultou da junção de várias fracções), cujo núcleo essencial era constituído pela Quinta do Couto e Cabeça Alta, no final da recta da Adémia, com uma extraordinária e privilegiada localização.


Em termos jurídicos todo o processo foi supervisionado pelo saudoso Dr. Diamantino Marques Lopes, que também foi jurista desta Câmara e cuja idoneidade, honestidade e qualidade levou o executivo da Câmara, em Fevereiro de 2017, a aprovar por unanimidade, e muito bem, um voto de pesar pelo seu falecimento.


Localizado numa encosta voltada para a cidade de Coimbra, orientada a Sul - Nascente, em local de rara beleza paisagística, o terreno adquirido oferece uma vista magnífica, abrangendo toda a cidade de Coimbra e a Torre da sua Universidade, estendendo-se os horizontes desde a Serra do Luso, a Norte, até à Serra de Sicó e campos do Mondego, a Sul.

A 6 km do centro de Coimbra, oito minutos de carro, um tempo de percurso normal para a cidade de Coimbra, tem excelentes acessibilidades, seja via Estrada Nacional 111, com a qual confina a Sul, seja pelo acesso ao nó de Coimbra-Norte da A1, da A14 e IP3 , do qual dista cerca de 1 Km, seja simplesmente atravessando a Adémia.


Em 2008, depois de novo processo eleitoral que sancionou o projecto, desencadearam-se promissores contactos para equacionar parcerias e formas possíveis de financiamento, de forma a começar faseadamente o multifacetado desenvolvimento do projecto.

Porém, para poder definir exactamente a respectiva dimensão, apresentámos uma proposta formal de alteração do PDM daquela zona, para que fosse transformado em zona de equipamento, o que permitiria uma área de construção superior. Ficámos a aguardar a decisão final do PDM. Só a partir daí poderíamos saber com exactidão quais as regras e área de construção.


Finalmente, em 2014, é publicada a primeira revisão do PDM de Coimbra, já com Vª. Exa. como Presidente da Câmara. Sublinho que é com muita satisfação e orgulho que verifico que, nesta revisão, o Projecto da Aldeia/Casa do Médico é considerado, no seu artº 57º, muito justificadamente, como um (de apenas dois), e cito, “equipamento com carácter estruturante para o desenvolvimento territorial do município”, com um índice de edificabilidade de 0,10.

Resumidamente, este ambicioso projecto engloba cinco vertentes, a administrativa, a social, a cultural, a científica, a de lazer e a ecológica.


Neste espaço pretendia-se construir a sede administrativa da SRC, o clube médico, um pavilhão de congressos, o museu do médico, a casa residencial do médico (de características únicas), um anfiteatro para espectáculos ao ar livre, circuitos de passeio e manutenção, uma mata mediterrânica, um miradouro e recantos aprazíveis, piscina, SPA, campos de ténis e espaços para outros desportos, diversas estruturas de entretenimento e lazer, um restaurante panorâmico e uma área para festas privadas e casamentos.


Entretanto, em 2011 fui eleito e tomei posse como Bastonário da Ordem dos Médicos, pelo que o projecto transitou para as Direcções seguintes da SRC-OM, deixando eu de ter qualquer jurisdição ou capacidade de interferência sobre o mesmo. O que se passou desde 2011, em que deixei de ser presidente da SRC, e desde 2014, data da publicação do PDM, não é da minha responsabilidade. Mas sei que o projecto irá conhecer um novo impulso.


Orgulho-me de ter deixado a SRC-OM como proprietária de um terreno, que está pago, que é uma imensa mais valia e que enriqueceu o património da Ordem, na medida em que um terreno com aquela localização, orientação geográfica e dimensão é ‘coisa’ que já não se fabrica e que fica para sempre. Um dia será útil.

Continuo a acreditar no valor e imenso potencial do projecto e na sua exequibilidade e sustentabilidade, agora que a economia está novamente em crescimento e que a situação financeira do país está em recuperação.


Sendo o projecto para a Região Centro, o seu impacto positivo far-se-á sentir essencialmente no concelho de Coimbra, que tanto necessita de projectos inovadores, arrojados, criativos, diferenciadores e dinamizadores.

Permitam-me um paralelismo com o extraordinário projecto do Convento de São Francisco. Apesar das críticas, Mendes Silva teve a arrojada visão de o comprar, durante os primeiros mandatos de Manuel Machado nada aconteceu, Carlos Encarnação assumiu a dinâmica coragem de lançar o projecto e arrancar com a obra, Barbosa de Melo continuou-o e Manuel Machado deu-lhe o impulso final de construção.

Sem perder a humildade nesta minha comparação com Mendes Silva, é naturalmente assim com todos os grandes projectos transformadores, que forçosamente atravessam vários mandatos institucionais.


O futuro da Aldeia do Médico compete agora a outros, mas o terreno, que é a condição sine qua non, está lá.

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