Discurso de inauguração da sede


Queremos mudar Coimbra, vamos mudar Coimbra, sabemos o que Coimbra precisa, estamos preparados para dar um futuro melhor a Coimbra.


Não é por acaso que somos a primeira candidatura a inaugurar a sua sede de campanha! Nada disto acontece por acaso! Estamos organizados, somos dinâmicos, temos competência e sabemos trabalhar com proficiência e qualidade. Estamos prontos para governar bem a Câmara Municipal, para liderar o desenvolvimento do concelho, para construirmos um futuro estratégico para Coimbra e, sobretudo, para melhorar a qualidade de vida das pessoas de todas as idades, de todas as proveniências, de todos os estratos sociais.

Começo por agradecer a todas e a todos os que construíram os alicerces e que colocaram cada tijolo no edifício da única candidatura sem suporte partidário que se apresenta à Câmara Municipal de Coimbra. Não interessa quem colocou mais ou menos tijolos, tijolos maiores ou menores, interessa sim que todos o fizeram com a máxima dedicação, de acordo com as suas capacidades, competências e disponibilidades.

Não temos máquina partidária, nem a queremos, porque as que existem estão cheias de vícios, mas temos muitas pessoas que são verdadeiras máquinas, movidas unicamente pelo seu sentido cívico, por acreditarem na democracia, por idealismo, por um genuíno amor às suas freguesias, pela capacidade de lutarem por um futuro melhor para a nossa cidade.

O nosso crescimento orgânico e sustentado tem sido contínuo e é imparável. O espírito de colaboração que nos une é inquebrável e uma sólida garantia de que temos uma equipa coesa, uma equipa independente, para trabalhar e para liderar a mudança de que Coimbra necessita e que há tanto tempo anseia. Uma equipa para vencer e elevar Coimbra ao futuro que tem condições para ter, se bem governada.

Neste fase de pré-campanha, em que já falámos literalmente com milhares de pessoas, se há um sentimento consensual, que nos foi transmitido de viva voz, é o de que Coimbra tem de mudar. As pessoas sentem e sabem que o concelho está a desertificar, a envelhecer, a regredir e a perder protagonismo nacional! Ao mesmo tempo, as pessoas acreditam que queremos mesmo mudar Coimbra e que somos a única equipa capaz de o fazer!

Tenho-o dito e não posso deixar de o repetir, porque são números indesmentíveis, acima de qualquer demagogia política, que traduzem o drama estrutural que Coimbra enfrenta e que a actual maioria camarária não soube resolver e procura agora, desesperadamente, ocultar com festa, animação e subsídios avulsos.

Naturalmente, consideramos que é dever da Câmara apoiar as colectividades e também o faremos, de uma forma transparente e de acordo com os regulamentos, mas as deficiências estruturais e estratégicas do concelho devem ser uma prioridade.

É alarmante que, entre 2009 e 2015, o concelho de Coimbra tenha perdido 9500 jovens, 6,6% da sua população, tendo hoje apenas 135000 habitantes. No mesmo período, a dinâmica cidade de Braga captou mais 1500 habitantes, enquanto a diligente Leiria só perdeu 600 pessoas e é uma cidade muito mais jovem. Impressiona e magoa que os jovens estejam a abandonar Coimbra por falta de oportunidades! Quantos pais e quantos avós do concelho de Coimbra viram os seus filhos e netos serem obrigados a procurar emprego noutras partes do país ou no estrangeiro? Porque é que, enquanto Braga cresceu, Coimbra decresceu tanto?

Coimbra não pode continuar a ser uma cidade lenta e adormecida, demasiado burocrática, inimiga dos empreendedores e pouco amiga dos seus moradores. Se nada mudar, dentro de poucos anos Leiria ultrapassará Coimbra como a principal cidade do centro do país.

Qual é a história recente de Coimbra? A avenida central da cidade foi aprovada na Câmara há 55 anos e ainda não está feita. O novo Palácio da Justiça tem terreno reservado há 47 anos e continua uma miragem. Em 30 anos, o grave problema de estacionamento dos HUC ainda não foi resolvido. Ao fim de 23 anos o Metro Mondego gastou 100 milhões de euros para retirar o comboio às populações. Há um ror de anos que se fala em devolver à cidade o espaço da Penitenciária de Coimbra, um ponto de interrupção e descontinuidade da malha urbana, e nada acontece. Tantos exemplos que podem ser apresentados...

Há uma questão que vale a pena apresentar para meditar de modo especial, pois é bem exemplificativa: respeitando as diferenças, porque é que o Instituto Pedro Nunes é um êxito mundial e o iParque é um fracasso local? A resposta é óbvia: o primeiro é gerido pela Universidade e o segundo é gerido pela Câmara.

Pode uma Câmara que nem sequer sabe fazer uma rotunda funcional ter capacidade de gerir um projecto tão complexo e exigente como é o iParque? A resposta está à vista de todos: não! A falência, na prática, do iParque, perante a passividade e a incompetência do Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, dispensam mais argumentos para justificar a urgente necessidade de mudar as lógicas partidárias que têm sido sucessivamente responsáveis pelo deficiente estado e desaproveitamento da cidade e do concelho de Coimbra.

Há outras candidaturas partidárias que, seguindo o velho e desacreditado modelo de campanhas eleitorais, agora tudo prometem e tudo exigem, esquecendo que os respectivos partidos políticos, quando foram Governo, pouco ou nada fizeram pela cidade e pelas suas freguesias e tão fortemente penalizaram as pessoas. Essas candidaturas não podem garantir a Coimbra um futuro diferente do que, enquanto poder governativo, foram no passado. Desacreditados por tantas promessas não cumpridas, limitar-se-ão a ser mais do mesmo. Coimbra não precisa de autarcas requentados de outros municípios.

Coimbra precisa de mudança. Coimbra precisa de uma lufada de ar fresco. Coimbra precisa de uma liderança forte, dinâmica, com visão de futuro, independente, irreverente, sem quaisquer obediências partidárias ou submissão a interesses menos claros. Reconhecidamente, este perfil de ‘fora do sistema’ apenas existe na nossa candidatura. O movimento ‘Somos Coimbra’ é, em Coimbra, o único genuinamente independente. Assim o têm reconhecido os comentadores políticos nacionais.

Como no Porto e em França, está na hora de dar oportunidade aos independentes. Libertar a Câmara de Coimbra das teias de interesses e dos boys partidários, apostar e respeitar criteriosamente o mérito das pessoas e decidir exclusivamente com base no interesse público já fará uma colossal diferença positiva no funcionamento da Câmara e do concelho. Sabemos o que Coimbra precisa, queremos mudar Coimbra, vamos mudar Coimbra.

Para além desta postura diferente e independente, que ideias temos então para a cidade e para as freguesias?

Entre muitas outras, estas são algumas das nossas medidas e propostas para a Câmara de Coimbra, que agrupámos em onze pontos:

1 – Comprometemo-nos a praticar uma gestão transparente, ouviremos com atenção e respeito os munícipes e instituiremos um orçamento participativo. Faremos visitas regulares às freguesias, num programa de descentralização, onde receberemos as pessoas que queiram falar connosco, e investiremos nas freguesias sem quaisquer discriminações políticas. Num outro nível, virado para o exterior, estreitaremos relações com os concelhos vizinhos, consolidando a região centro.

2 - Dialogaremos e trabalharemos com todas as instituições do concelho e, entre outras, defenderemos activamente a Universidade, o Politécnico e os Serviços de Saúde contra os ataques do poder central, nomeadamente contra as dramáticas limitações orçamentais que estão a ser impostas ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, prejudicando seriamente os doentes. Exigiremos, ainda, que a urgência do Hospital dos Covões permaneça aberta 24h/dia, sete dias/semana.

3 - Apostaremos com inteligência em novos caminhos de desenvolvimento, como o património, a cultura e o turismo. Aproveitaremos melhor a marca Universidade e todo o património Mundial da Humanidade e valorizaremos devidamente a rua da Sofia. Entre outras iniciativas, das quais aqui não há tempo para falar, dotaremos a Câmara de Coimbra de um departamento de turismo que funcione e criaremos um “Centro de História(s) de Coimbra” (“Coimbra Story Center”), um moderno museu ou centro interpretativo sobre o nosso excepcional passado e presente, no Convento de São Francisco, cuja gestão autonomizaremos de modo a projectá-lo no país.

4 – Ultrapassaremos activamente a crónica bipolaridade da cidade, entre a Baixa e a Alta, e mudaremos definitivamente a cultura de costas voltadas entre a Câmara e as instituições da cidade, em particular com a Universidade e com o Centro Hospitalar. Nesse sentido, lideraremos um ‘Pacto para o desenvolvimento e competitividade do concelho de Coimbra’, que será um motor para a competitividade e crescimento do concelho, fazendo render complementaridades e sinergias. Vamos agir em conjunto!

5 - Estimularemos o empreendedorismo, atrairemos investimento industrial e tecnológico, criando emprego de modo a dar oportunidades e fixar os jovens. Em particular, resolveremos o problema do iParque. Se outras cidades se desenvolveram, se a legislação é a mesma em todo o país, então também será possível fazê-lo em Coimbra. Os nossos jovens deixarão de ser obrigados a abandonar a cidade, porque passarão a ter empregos no concelho. Um dos nossos projectos emblemáticos de revitalização da cidade será a criação de uma incubadora de empresas na Baixa de Coimbra em conjunto com o Instituto Pedro Nunes e outros parceiros, em particular jovens empresários e suas associações.

6 - Acabaremos com o excesso de burocracia, responderemos rapidamente aos pedidos de licenciamento e outros, respeitaremos todos os munícipes, incluindo os socialmente mais carentes e os portadores de deficiência, e promoveremos o envelhecimento participativo, em diálogo com as instituições e organizações que se dedicam e têm competências nesta área.

7 – Vamos unir para sempre o rio Mondego à cidade, dando dignidade, limpeza, segurança e acessibilidade às suas duas margens. Acabará a cortina de ferro que, na margem direita, separa a cidade do rio. Planeamos esplanadas, piscinas fluviais, espaços para desportos de lazer e condições de excelência para a prática de desportos náuticos e um projecto maior de uso do rio: a margem esquerda do rio Mondego, logo a seguir à Escola Silva Gaio, uma das zonas mais nobres da cidade, deixará de ser um dormitório de autocarros, sendo o espaço devolvido ao usufruto pelos cidadãos. A forma de utilização será perguntada aos cidadãos, de modo a que eles sintam que esse espaço é seu.

8 – Não esqueceremos as questões levantadas pelas necessárias obras do Estádio Universitário e, em conjunto com a Universidade, resolveremos o défice de espaços desportivos no concelho. Também em conjunto com a Universidade e o Politécnico, procuraremos dignificar e aumentar os espaços verdes da cidade, de que o Jardim Botânico é exemplo. Trabalharemos para que a deslocalização da Penitenciária permita aumentar o espaço verde entre o Jardim Botânico e o Parque de Santa Cruz e valorizaremos as matas de Choupal e Vale de Canas.

9 – Vamos exigir uma verdadeira descentralização de instituições públicas nacionais, sobretudo da área da Saúde, algo que as candidaturas apoiadas por partidos nacionais comprovadamente centralizadores são e serão incapazes de fazer: não têm nem legitimidade para prometer o que nunca pensaram, nunca tentaram e nunca fizeram. Não podem prometer nem exigir agora aquilo que nunca quiseram. Assim, valorizando os indiscutíveis recursos e competências em Saúde que existem em Coimbra, bem como a nossa prestigiada Universidade e a dinâmica indústria do medicamento, a candidatura “Somos Coimbra” irá lutar incansavelmente para que o Ministério da Saúde e as suas dependências sejam progressivamente deslocalizados para Coimbra, nomeadamente o Infarmed, o INEM, a DGS, a Administração Central dos Serviços de Saúde e a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde.

10 – Daremos uma atenção muito especial à mobilidade urbana e suburbana, ao urbanismo, e à recuperação da Baixa e da Alta, que não devem ser pensados separadamente. Muitos munícipes se têm queixado de não serem adequadamente servidos pelos SMTUC e têm de o ser. Como já dissemos, aqueles que trouxeram o projecto do Metro Mondego até aqui não são capazes de o levar por diante. Queremos uma linha rápida em Coimbra ligada aos concelhos vizinhos, designadamente através de uma Estação que hoje se chama velha mas que tem de passar a ser Nova.

11 – Expressando o lamento pela confrangedora incapacidade da actual Câmara de Coimbra apresentar uma candidatura de Coimbra a capital europeia da inovação, candidataremos Coimbra a Capital Europeia da Cultura 2027, escolhendo de um modo aberto e transparente a equipa independente que vai liderar o projecto. A cultura, tanto erudita como popular, será um desígnio de Coimbra. Tudo faremos para que cada vez mais pessoas sejam atraídas pela nossa ancestral cultura. Criaremos vários roteiros temáticos de descoberta da cidade. Coimbra foi o berço franciscano de Santo António, o santo mais venerado em todo o mundo, e quase ninguém sabe que ele viveu e estudou em Coimbra. Coimbra foi o berço de poetas como Sá de Miranda, Camilo Pessanha e Fernando Assis Pacheco e músicos como Carlos Seixas, Carlos Paredes e Luís Goes, tantos outros poetas, músicos e cientistas, que, se não nasceram em Coimbra, por aqui passaram, deixando marcas de génio.

Planeamos colocar em marcha outras propostas, mas não posso alongar-me agora. Ideias e capacidade de iniciativa, como já perceberam, não nos faltam!

Finalmente, tenho uma especial satisfação em anunciar, em primeira mão, que já reunimos as 4000 assinaturas exigidas por lei para formalizarmos a candidatura do movimento cívico “Somos Coimbra” ao município de Coimbra, embora mantenhamos a recolha, pois queremos apresentar muito mais que o mínimo, para salvaguardar qualquer situação e porque recolher as assinaturas é também uma excelente ocasião para falar com as pessoas e ouvir e registar as suas sugestões.

É, de facto, espantoso, mas não surpreendente, como foi possível recolher um tão grande número de assinaturas, devidamente validadas, em tão pouco tempo, ultrapassando o limiar mínimo um mês antes do fim do prazo para entrega do processo. É mais uma prova do empenho da nossa equipa, da excepcional receptividade que temos encontrado por parte das pessoas e da inequívoca vontade que os conimbricenses têm de construir um melhor futuro para Coimbra. Não temos dúvidas de que a abstenção vai diminuir, porque o concelho está mobilizado para assumir o destino nas suas mãos e para construir um futuro diferente, para melhor.

Já dispomos de candidatos a praticamente todas as Freguesias e Uniões de Freguesia do concelho e continuamos a trabalhar afincadamente nas restantes, onde estamos a desenvolver fortes contactos. Não apresentaremos candidatura a Souselas porque esta freguesia já é bem liderada por um independente; não faria sentido um independente contra um independente.

Passo a apresentar os nomes dos cabeças de lista, por ordem alfabética de freguesia.

Brasfemes – ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Rui Manuel Machado Ferreira

Ceira - ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Carlos Manuel Correia de Almeida

Cernache – (mandatária) Maria Margarida Tavares Gonçalves­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­

Santo António dos Olivais - ­­­­­­­­­­­­­­­Ana Maria Goulão Machado

São João do Campo - ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Graça Maria Pacheco Gândara

São Silvestre – José Manuel Gândara Gaspar

Torres do Mondego - ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Sónia Teresa Maia Teles

União das freguesias de Antuzede e Vil de Matos - Cláudio José Temudo Machado

União das freguesias de Assafarge e Antanhol - Carla Margarida Simões Ribeiro

União das freguesias de Coimbra - ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Manuel Fernando dos Santos Lobão

União das freguesias de Eiras e São Paulo de Frades - ­­­­­­­­­­­­­Ana Margarida Branco Carvalhas

União das freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas - Isabel Maria Rodrigues de Paiva

União das freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades - Maria da Graça Oliveira Mesquita

União das freguesias de Taveiro, Ameal e Arzila - ­­­­­­­­­­­­­­­Maria Inês Monteiro de Almeida

Obrigado a todos pela vossa devoção à causa pública. Que ninguém tenha dúvidas, vamos a estas eleições para vencer. Vamos vencer para que Coimbra vença. Será Coimbra e os seus habitantes que, com a nossa vitória, sairão vitoriosos.

Connosco, com competência, inteligência, humildade e muito trabalho, Coimbra voltará a ser forte, dinâmica, respeitada e, nalgumas áreas, líder.

Queremos mudar Coimbra, vamos mudar Coimbra, sabemos o que Coimbra precisa, estamos preparados para dar um futuro melhor a Coimbra.

Permitam-me que termine com um pequeno texto de Fernando Pessoa, que traduz o espírito da nossa candidatura. “Digo-vos: praticai o bem. Porquê? O que ganhais com isso? Nada, não ganhais nada. Nem dinheiro, nem amor, nem respeito, nem talvez paz de espírito. Talvez não ganhais nada disso. Então porque vos digo: Praticai o bem? Porque não ganhais nada com isso. Vale a pena praticá-lo por isto mesmo.”

Muito obrigado pela vossa presença!

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